“Da úlcera e síndrome do intestino irritável ao segundo cérebro e das medicações à terapia hipnótica. A saúde é a soma de aspectos que vão além da área biológica, incluindo também as partes emocionais, sociais, mentais e espirituais”.

O princípio da gastroenterologia se confunde com a úlcera no estômago dentre outras patologias básicas em com o seu pobre entendimento, as terapias muitas vezes eram mutilantes, como foi por muito tempo à retirada cirúrgica de parte do estômago para o tratamento da úlcera gástrica. “Uma que não conseguimos tratar a doença, então, retiramos o órgão, e consequentemente a doença desaparece”. 

A evolução até os dias atuais nos faz entender o olhar clínico de que não somos fragmentados, e que o comportamento do nosso organismos é interligado e integrado no físico e psíquico. As especialidades e subespecialidades médicas, assim, devem ter a consciência de que não podem ater-se a este ou aquele órgão, ou àquela doença específica se o todo, restante e maioria, também não for cuidado.  

O organismo é compreendido em si como um sistema, o qual funciona como uma unidade integrada operacional e funcional, sendo que qualquer estímulo que atinja este organismo (ou seja, sistema) em qualquer um dos seus subsistemas, necessariamente promoverá mudanças. 

Os organismos vivos tendem a formar estruturas organizacionais dentro de sistemas que consideramos hierarquias. Um comparativo são os próprios sistemas do corpo humano, que aprendemos em anatomia e biologia, como: sistema digestório, endócrino, reprodutivo e assim por diante.

A teoria do caos é a quebra da ordem originária por um estímulo que pode produzir um final imprevisível. Com um olhar mais generalista podemos perceber que nosso organismo é um sistema caótico, mas sendo um sistema fechado operacionalmente, com alto grau de complexidade e ordem, ele consegue se auto-organizar eficazmente (havendo maior interesse em aprofundar-se nesse campo ler a teoria do Atractor de Lorenz).  

Um pequeno estímulo no nosso sistema orgânico pode desencadear uma doença catastrófica; iniciando apenas numa mínima modificação ou um pequeníssimo erro dentro de uma única célula. Assim como um pequeno estímulo de uma dose homeopática de certa droga, ou um estímulo luminoso de um laser de baixa intensidade transformado em energia fotoquímica dentro da célula, pode gerar um gigantesco efeito terapêutico. 

A nossa imunidade começa no sistema digestivo, começa com a nossa flora intestinal. Dependemos do que comemos. Lembra daquela famosa frase “você é o que você come”? Sim! Tudo começa pelo o que ingerimos. A reposição de suplementos somada à uma alimentação balanceada, à atividade física e ao equilíbrio da nossa mente, projetando um brilho na nossa alma, são os caminhos para a nossa saúde física e espiritual. 

Como podemos observar, os nossos sistemas orgânicos são interligados energeticamente com o nosso sistema nervoso e espiritual. Então, a medicina integrativa e do estilo de vida procura fazer essas conexões. 

Para manter uma boa saúde e qualidade de vida, devemos ter com a microbiota o mesmo cuidado que temos com o restante do corpo. De fato, nossa microbiota é parte essencial do que somos. 

Estudos nos mostram que a ausência da microbiota altera significativamente o trato gastrointestinal, com redução da taxa de proliferação celular no intestino, da composição do muco, da atividade de enzimas digestivas, da espessura da musculatura intestinal, da vascularização, além de enfraquecer a barreira epitelial, encolher as placas de Peyer (locais onde o sistema imune se organiza no intestino) e reduzir a quantidade de anticorpos no sangue. 

Sabemos que a população de bactérias no nosso corpo é bastante heterogênea e as alterações no balanço entre as mesmas podem acarretar em uma menor produção de compostos importantes para o nosso organismo. 

Além disso, há, também, o uso excessivo de antibióticos, os quais diminuem certo número de bactérias chamadas “do bem” e causam um desequilíbrio, ou, a famosa disbiose. Assim, ocorre o enfraquecimento das junções celulares do intestino, permitindo a penetração de microorganismos e partículas indesejáveis para o interior do corpo, causando processos inflamatórios e alérgicos. 

A alimentação pode ser considerada como um dos fatores comportamentais que mais influencia a qualidade de vida das pessoas, a composição da microbiota e o ambiente intestinal. Já é sabido que indivíduos obesos possuem a microbiota intestinal diferente, se comparado a indivíduos magros.  

Estudos revelam que, além de nos ajudar a resistir às doenças, à depressão e à ansiedade, o microbioma é fundamental para o metabolismo, a fome, os padrões alimentares e o peso. Quando ingerimos alimentos que mantêm esse mundo interior em equilíbrio, nosso metabolismo funciona com a máxima eficiência.  

As células intestinais produzem, secretam e ativam peptídeos que agem no controle do apetite e saciedade e podem trazer benefícios, como a redução de peso corporal, melhorando o controle glicêmico e a sensibilidade à insulina. Quando sente que você já comeu o suficiente, o Sistema Nervoso Entérico manda o organismo parar de liberar grelina, hormônio que causa a fome.  

A microbiota pode se comunicar com o cérebro e alterações no sistema digestivo podem provocar alterações no cérebro. Exemplificando: uma diarreia após um estresse. Também afeta o comportamento, as emoções e até o caráter. 

Recentemente, foi descoberto que o intestino contém células capazes de identificar o sabor dos alimentos. Sim, existe uma comunicação constante do intestino com o cérebro e vice-versa! O eixo cérebro-enteral está cada vez mais compreendido.  

Resumindo, o metabolismo, o peso e a saúde, de um modo geral, dependem do equilíbrio da vida microbiana do nosso trato gastrointestinal e do que você se alimenta. 

A síndrome do intestino irritável, por exemplo, é a prova da evolução do entendimento da necessidade de uma medicina integrativa na Gastroenterologia.  

Para deixar mais claro, você sabia que fatores emocionais podem desencadear a síndrome?  

Na abordagem terapêutica atual, os remédios diminuem os espasmos e as contrações que provocam a dor na barriga, principal característica da síndrome. As psicoterapias se preocupam com os sentimentos negativos e a ansiedade, gatilhos importantes para as crises.

No plano alimentar, o nutricionista individualiza o cardápio segundo o perfil e as queixas de cada pessoa, e os exercícios físicos fazem parte das mudanças no estilo de vida, pois ajudam a manter um bom fluxo no trânsito intestinal.

Mais recentemente, estudos concluíram que a hipnose alivia os sintomas da síndrome. Sendo que, ao longo das sessões, os indivíduos ficavam concentrados e escutavam mensagens sugerindo que eles tivessem maior controle sobre o aparelho digestivo. Depois, eles relataram menos incômodos.  

Para finalizar, a medicina integrativa é constituída por vários profissionais da saúde além dos médicos, como enfermeiros, nutricionistas, psicólogos, fisioterapeutas, entre outros. Todos trabalhando em conjunto para oferecer o melhor atendimento ao paciente; pensando na individualidade de cada pessoa.

Um bom plano de tratamento é  desenvolvido especialmente e sob medida para cada um, quando baseado não apenas na sua doença, mas em toda a sua vida.