“O professor mais sábio e mais nobre é a própria natureza.” 

Leonardo da Vinci

A sociedade contemporânea em que vivemos hoje, parece ter se esquecido da frase acima. Se para os nossos antepassados parecia óbvio que saúde era sinônimo de estar conectado e em equilíbrio com a natureza, para a realidade atual o ritmo da natureza é um simples coadjuvante no nosso dia a dia. 

Trabalhamos até muito tarde, almoçamos enquanto respondemos e-mails, nos alimentamos de processados – quase como se o dia, a noite, e as estações do ano fossem meros detalhes dentro da nossa rotina. Ou, como se alimentar de forma saudável fosse um “obstáculo” na vida das pessoas bem-sucedidas. 

Vivemos em um mundo que tem um caso de amor com o “ato de ser ocupado”. 

Objetivos espirituais, equilíbrio, nutrição física e emocional são sacrificados por ambição social e profissional. Sucesso é medido através da nossa habilidade de atingir os nossos objetivos profissionais o mais rápido possível. 

E assim, muitos de nós, inconscientes de outras formas de medir esse sucesso, adotamos valores distorcidos e operamos no piloto automático. Estamos tão comprometidos com esse ritmo frenético que nem percebemos quando começamos a sentir desconforto e nosso corpo começa a nos mandar alguns alertas. Esses alertas podem ser insônia, irritabilidade, depressão, memória curta, fadiga, dores de cabeça frequentes, má digestão…entre tantos outros. 

Para a visão de mundo ocidental, uma pessoa com muita energia é aquela que está sempre correndo. Sempre estressada e fazendo mais de uma coisa ao mesmo tempo. 

Já na visão oriental, o conceito de energia é bem diferente. Energia é definida como “prana”, que significa força vital. Essa força de vida é usada de forma eficiente e equilibrada, funcionando como uma extensão da sua paz interior.

Uma pessoa com muito energia ou “prana” é aquela que se alimenta de forma saudável, respira ar puro, cultiva bons relacionamentos e equilibra momentos de trabalho com momentos de descanso.

Esse equilíbrio se reflete nos seus hormônios, na sua saúde mental, no seu sono e consequentemente ela se sente centrada, feliz e saudável. A sabedoria oriental nos relembra que humanos são um aspecto da natureza e por isso, são governados pelas suas leis. Respeitar ou não essas leis é boa parte daquilo que determina a nossa saúde. 

Se de um lado não podemos controlar 100% aquilo que nos apressa, afinal muito é decorrente de fatores externos, de outro as nossas escolhas estão sim sob o nosso poder.

Somos nós que escolhemos a falsa ideia de que devemos dar conta de tudo. Escolhemos a forma com a qual enxergamos o mundo, os nossos valores, aquilo que vemos como essencial nas nossas vidas e os preços que estamos dispostos a pagar para alcançá-lo.

Em função dos objetivos que escolhemos como essenciais, escolhemos nos colocar sob um stress que se torna um hábito. E como acontece com todos os hábitos, eles se tornam o nosso “normal”. Nos tornamos tão cronicamente estressados, que nem conseguimos perceber que esse não é nosso estado natural. 

Talvez temos consciência que nossa vida é estressante e que precisa de mudança. Talvez sabemos disso porque nosso corpo nos manda sinais como dores de cabeça, insônia, tensões no corpo, instabilidade emocional.

Talvez nós ouvimos esses pedidos do nosso corpo, mas não sabemos como parar de correr. Temos medo que se pararmos, algo horrível aconteça. Vamos perder nosso emprego. Nossas famílias vão entrar em colapso. Nosso mundo pessoal vai desmoronar.

Então, decidimos continuar até o dia que o nosso corpo, através das doenças, nos obriga a parar. Mas esse não precisa ser o único caminho, cada um de nós tem o poder de escolher como lidar com a sua rotina, com os seus sonhos e com as suas obrigações. E muitas vezes, pequenas mudanças nessa rotina já tornam o caminho muito mais sustentável para a nossa saúde. 

Para manter o nosso modus operandi atual, não é necessário ter coragem. Basta manter o hábito e continuar a viver a vida nesse automático, esperando que ela fique melhor com o tempo e um passe de mágica. 

Porém, é preciso de muita coragem e auto responsabilidade para parar – parar de correr, parar de tentar agradar a todos, parar de gastar as nossas reservas para dar ao outro. Parar e começar a viver a vida que você realmente gostaria de estar vivendo. 

Quando fazemos isso, o nosso mundo não desmorona. Pelo contrário, se damos pequenos passos para diminuir a nossa velocidade e ter mais tempo, percebemos que a vida fica mais leve e agradável, e vamos ganhando confiança para continuar as mudanças necessárias. O ciclo negativo se torna em uma espiral positiva que aos poucos vai nos entregando uma vida mais plena do que estressante. Mais significado do que vazio. Mais saúde do que caos. 

Esse caminho não precisa ser complexo e envolver milhares de médicos, tratamentos e remédios. Você pode começar pelo simples. E a chave para esse simples está na natureza. Comece por ela. A natureza contém uma sabedoria milenar e o seu macrocosmo está sempre se comunicando com o microcosmo do nosso corpo. Por isso, comece por:

  • Criar uma rotina alinhada com os ciclos da natureza. Busque acordar cedo e usar a noite como um momento de relaxamento e preparação para o sono. Se permita desacelerar. Assim como para a natureza o inverno é tão importante quanto o verão, o descanso e a calma são tão fundamentais quanto a ação. 
  • Se alimentar de forma saudável, dando prioridade para vegetais, legumes, frutas e grãos integrais. Alimentos que vem diretamente da natureza para o seu prato. De preferência para os alimentos de estação e procure comer apenas quando estiver com fome.  
  • Se possível, se exponha ao sol por ao menos 15 minutos todos os dias. A exposição a luz natural além de nos fornecer Vitamina D, é um ótimo aliado para a nossa glândula pineal que regula os nossos ritmos internos e ciclos naturais. 
  • Ter uma prática de atividade física frequente. Mova seu corpo com frequência e deixa a energia e força vital fluir pelo seu corpo. Energia parada é muitas vezes a causa de diversas doenças. 
  • Cultivar ferramentas que te auxiliam a lidar melhor com o stress. Seja fazer uma caminhada todos os dias, colocar os pés na terra e entrar em contato com a natureza, meditar, fazer exercícios de respiração consciente, entre outros. O importante é encontrar uma prática que funcione para você e que te ajude a desacelerar e praticar a presença.

 

E sempre que você se sentir desajustado por estar fora do ritmo frenético do seu entorno, lembre-se dessa máxima: “Não é sinal de saúde estar bem adaptado a uma sociedade doente” (Jiddu Krishnamurti).