Desde os primeiros registros que datam de 5000 a.C., os chineses sempre observaram a natureza e procuraram se manter em equilíbrio com ela. 

Uma frase que se encaixa perfeitamente na maneira como os chineses conectam a natureza à medicina é a seguinte: “Aqueles que desobedecem às leis do Céu e da Terra têm uma vida inteira de calamidades, enquanto aqueles que seguem as leis permanecem livres de doenças perigosas”, de Huang Ti Nei Ching, do livro “O Clássico de Medicina Interna do Imperador Amarelo”.

Algo que já gostaria de adiantar, os chineses sempre buscaram as respostas nas criações divinas!  Quer saber como? 

Na luta pela sobrevivência, por exemplo, eles sempre observavam a natureza, viam como era o comportamento dos animais, quando estavam doentes, o que eles comiam e, se melhorassem comendo alguma planta, os chineses as testavam neles mesmos. 

Com esse olhar, eles também perceberam que as pedras, quando aquecidas ao redor das fogueiras, tinham o poder de aliviar as dores musculares. Nada escapava ao olhar atento, eles observavam as estações do ano, quais eram os tipos de alimentos disponíveis, quais eram as cores e quais eram os sabores. 

A natureza, associada aos princípios filosóficos do taoísmo, tornou-se a base para o desenvolvimento da Medicina Tradicional Chinesa e foi dela que surgiu o dualismo de Yin e do Yang.

 

 Mas o que seria o Yin e o Yang?

O Yin e Yang compõem o TAO,  com peixinho branco no preto e o peixinho preto no branco. Yin seria a água, escuridão, noite, lua. Já o Yang, seria o dia, a luz, o sol, o fogo. Eles também se baseiam nos 5 movimentos, que são o fogo, a terra, o metal, a água e a madeira.

Cada movimento tem um órgão e uma víscera associados. Além disso, eles acreditam que a doença nunca vem de repente, de uma hora para outra. Assim como tudo é um processo, a doença também é! Existem estágios para que ela chegue no momento da manifestação.

 

Como o ciclo funciona

A doença começa em uma evolução energética, passa para um nível funcional e, em seguida, chega em um desequilíbrio orgânico. É só nesse momento que a doença começa a se manifestar e dar alterações nos exames laboratoriais e de imagem.

A Medicina Tradicional Chinesa entra antes de ocorrer o desequilíbrio orgânico. Ela compreende o uso da fitoterapia chinesa, acupuntura, dietoterapia, atividades físicas e meditação.

A Medicina Tradicional Chinesa acredita na integração, no desequilíbrio de um órgão que vai afetar outras partes do corpo. Uma doença para a MTC é uma desarmonia entre o Yin e o Yang, que se manifesta em um todo no indivíduo. Cada indivíduo é único e, justamente por isso, deve ser avaliado e tratado como tal. Não deveríamos nem cogitar pensar de outra forma. Faz sentido?

 

O que difere a Medicina Tradicional Chinesa da Medicina Convencional Ocidental? 

Segundo Mark, no artigo “Systems of correspondence: Functionality in Tradicional Chinese Medicine and Emerging Systems Biology“, a principal diferença é: a medicina convencional (ocidente) entende o mundo por meio do raciocínio indutivo e de uma descrição fenomenológica do corpo e da doença.

É principalmente uma abordagem anatômica ou o que os antigos chineses chamam de “ciência da dissecação”. Dissecar o corpo, os órgãos, a célula e analisar as partes da célula, maquinaria, genoma e enfermidades do corpo é a competência da medicina ocidental.

Na Medicina Chinesa, por outro lado, os órgãos são organizados em torno de suas funções e as doenças são percebidas como desequilíbrios nas relações funcionais dos sistemas do corpo, que estão conectados por meio de vias físicas e energéticas.

Os fatores de adoecimento podem apontar para duas direções interna e externa. 

O indivíduo pode adoecer por deficiência de seu sistema de defesa (meio interno) ou por sofrer muitas agressões do ambiente em que vive (meio externo). Os fatores internos consideram a estrutura genética, o modo de vida e os sentimentos. Os fatores externos dependem do clima, em suas manifestações diversas e do meio ambiente.

O equilíbrio existente entre yin e yang, entre indivíduo e entre os órgãos e vísceras não é estático, mas, sim, dinâmico, como a própria natureza. Para que ocorra o adoecimento, é necessário que o corpo perca o seu poder de adaptabilidade ao meio externo. Eles podem ser:

 

  • Diminuição  da energia vital e do Qi correto

Estado em que o corpo não possui resistência adequada para defender-se

 

  • Excesso de agentes patogênicos (Xie)

O estado atual do paciente não é, muitas vezes, um indicativo da origem da sua doença. Assim, um paciente pode ter um quadro de asma que não se desenvolveu, necessariamente, por alterações no Qi do pulmão, mas por deficiência crônica de Qi do rim, e isso acabou levando ao desequilíbrio do pulmão. Note que a identificação da causa define todo o resto! Se identificamos a origem errada, o tratamento se desdobra de forma errada, também! 

 

 Na Medicina Tradicional Chinesa é feito uma análise 360° do corpo humano, tudo está integrado. Órgãos compõem sistemas, sistemas formam o ser humano e esses sistemas estão ligados a questões físicas, emocionais e mentais. Dessa forma, torna-se necessário entender o processo de adoecimento e suas causas para abordar corretamente o desequilíbrio atual.

E o que isso tem em comum com a forma como as pessoas vivem? Tudo! 

O tratamento dentro da MTC necessita, muitas vezes, de mudanças de hábitos de vida, uma alimentação correta baseada no seu perfil energético e atividades físicas para ser duradouro e completo o estado de saúde.