Você já fez ou ouviu falar em Jejum Intermitente, ou “fasting”? 

O objetivo da prática é incorporar, na sua rotina, períodos prolongados de tempo sem qualquer ingestão calórica.

Entre os praticantes, é comumente incorporada à rotina diária por meio da restrição do horário permitido para as refeições, resultando em um maior espaçamento entre elas. 

Pode também ser praticado considerando um horizonte maior de tempo, por exemplo, semanalmente, pulando-se a ingestão de comida por dois dias da semana, ou durante períodos prolongados nesses dias.

É importante observar que, para que os resultados possam começar a aparecer, deve haver um intervalo de, pelo menos, 6 a 8 horas sem ingestão alimentar.

Embora o jejum intermitente reduza sua janela alimentar, não se trata, necessariamente, de restrição calórica.

Importante notar que apesar do jejum não deve ser considerado o mesmo que uma dieta de restrição calórica, (esta que significa uma redução de 20-40% na ingestão de calorias) nem mesmo inanição (que equivale a um estado prolongado de privação de nutrientes).

 Na Serena, não estimulamos nossos membros a contar calorias. É importante lembrar que nem todas as calorias são metabolizadas da mesma forma, e certos alimentos de alto teor calórico, como gorduras boas, por exemplo, são necessários para o funcionamento adequado do nosso corpo!

Ao contrário, o jejum intermitente é uma abordagem estratégica do consumo alimentar com foco nos horários da ingestão calórica que, se bem aplicada, produz resultados extremamente positivos, como logo abaixo descrito. 

Recentemente, a medicina ocidental vem comprovando os benefícios à saúde proporcionados por essa prática. Além de sermos o que comemos, as evidências sugerem que somos também QUANDO e COMO comemos.

 

A ciência por trás do Jejum Intermitente

Um estudo do New England Journal of Medicine relata que, durante o jejum, as células ativam vias que aumentam suas defesas contra o estresse e, então, quando você se alimenta novamente, suas células passam para um estado de adaptabilidade. Essa oscilação para frente e para trás induz benefícios à sua saúde metabólica. 

O estudo também afirma que o jejum intermitente pode ajudar potencialmente contra a obesidade, diabetes, doenças cardiovasculares, câncer e doenças neurodegenerativas do cérebro

Como se não fosse suficiente, jejuns mais longos podem ativar a autofagia, que ocorre quando o corpo elimina as células danificadas para abrir espaço para novas, sendo capaz de retardar o processo de envelhecimento, além de evitar patologias.

Evidências também mostram que o jejum pode melhorar: os níveis de colesterol, como metabolizamos a glicose, a resistência de nossas células à insulina e até mesmo nossa função cognitiva

Em alguns casos, até pode reduzir doenças autoimunes. Pode também aumentar os níveis naturais de um hormônio associado à juventude e anti-envelhecimento chamado DHEA.

Certamente, essa lista de benefícios deve crescer, numa época em que os olhos da ciência parecem ter ser voltado para essa antiga prática antiga.

 

Contexto histórico do Jejum

Historicamente, as fontes de alimentos nem sempre estiveram tão facilmente disponíveis como hoje. Passávamos várias horas e vários dias sem comida (entre grandes caçadas de búfalos). Muito menos tínhamos acesso 24 horas por dia, 7 dias por semana a alimentos ricos em carboidratos, alimentos ultraprocessados, “fastfood” entre outros. 

É razoável supor que nozes e frutas silvestres compunham os nossos lanches e éramos bem mais ativos fisicamente. Assim, comer três ou mais refeições por dia pode ser visto, na verdade, como um fenômeno relativamente moderno e, embora funcione para muitos, não significa que não possa haver melhorias ao modificar essa rotina.

Vemos a prática do jejum presente também em algumas religiões, onde estas afirmam que jejuar ou pular refeições é bom não somente para o corpo mas também para a alma.

Por exemplo no Cristianismo, a Quaresma é um período de quarenta dias durante o qual as pessoas são encorajadas a abandonar alguns grupos alimentares alimentares.

Embora a Quaresma certamente não seja o mesmo que o jejum intermitente, é semelhante no fato de que o foco está em fasear refeições ou grupos de alimentos para reflexão espiritual. 

Já no Ramadã, período de jejum do islamismo considerado pelos os muçulmanos um período de reflexão e conexão espiritual em que jejuam do amanhecer ao pôr do sol durante 29 dias. 

 

Jejum é para você?

Embora seja uma ferramenta poderosa, nem todo mundo deve fazer jejum intermitente. 

Fazer uma pausa proposital da comida é um tipo de estresse em seu corpo, então se você sofre de fadiga crônica ou problemas de tireoide, deseja maximizar a fertilidade, está grávida ou amamentando, ou apenas está passando por um período particularmente estressante na vida, não é um bom momento para testar essa prática. 

Além disso, o jejum intermitente pode ser um fator desencadeante para pessoas que lutam ou já sofreram com distúrbios alimentares. Aconselhamos conversar com seu médico antes de iniciar um jejum, verificando a necessidade, objetivos e seu histórico de saúde antes de iniciar a prática.

O jejum intermitente não é algo que todos precisem fazer. É simplesmente uma das muitas estratégias de estilo de vida que podem melhorar sua saúde. Comer comida de verdade, fazer exercícios e cuidar do sono ainda são os fatores mais importantes nos quais devemos nos concentrar.

No final do dia, não existe uma solução única para todos quando se trata de nutrição. A melhor dieta para você é aquela que você consegue seguir no longo prazo.