Se você já teve contato com práticas mais naturais para cuidar da sua saúde: de conteúdo a elementos de tratamento, como fitoterápicos, homeopáticos, chás, florais a questões da nossa própria rotina, como alimentos saudáveis e orgânicos, atividade física, controle de estresse, priorização do sono… às terapias holísticas e integrativas, como o reiki, aromaterapia, thetahealing, acupuntura… aos médicos e outros profissionais da saúde que estimulam a realização de tudo isso, antes de entender a possibilidade de prescrição de medicamentos e/ou outros tratamentos mais artificiais…

Se já ouviu e se interessou por conceitos como Medicina Funcional, Integrativa, do Estilo de vida e outros… Bom, você não está sozinho!

Esses conceitos surgiram como um movimento e começaram a se organizar de maneira mais formal no início dos anos 1990 em resposta ao custo crescente e à prevalência de doenças crônicas.

Não é nenhum segredo que a incidência de doenças crônicas complexas está aumentando e uma parcela cada vez maior da sociedade global está sendo diagnosticada em uma idade cada vez mais jovem.

Em resposta, o interesse na prevenção, por meio da adoção de estilo de vida mais saudável e práticas mencionadas anteriormente têm se espalhado. Além disso, um número crescente de profissionais de saúde em todas as disciplinas têm formado novos conceitos e prática médica que incorporam essas ideias.

Em 1991, Susan e Jeffrey Bland aproveitaram esse amplo interesse e entusiasmo e fundaram, nos Estados Unidos, o Instituto de Medicina Funcional (IFM), a primeira entidade a ensinar e praticar esse campo.

Poucos anos depois, o IFM cresceu para incluir uma coalizão de médicos, pesquisadores de saúde e formuladores de políticas de saúde que compartilham a visão de desenvolver um modelo clínico orientado para o sistema e focado na individualização do paciente, onde um dos objetivos principais era reverter a crescente epidemia de doenças crônicas. – Como já comentei em conteúdos na nossa página do Instagram (@somos.serena), as doenças crônicas que citamos são as não transmissíveis e evitáveis, como o câncer, diabetes, demência e obesidade e outras.

Mas de onde vêm as raízes desse movimento?

Elas se devem a uma profissão de médicos que praticavam esses mesmos princípios da medicina em todo o país e no mundo: os médicos naturopatas – trazendo o princípio de que saúde não é a ausência de doença, mas de abundância na conexão físico-mental-espiritual.

Na América do Norte, a medicina naturopática começou a emergir como uma profissão médica distinta no início dos anos 1900; no entanto, um médico e autor americano – que eu admiro muito –  Mark Hyman, também presidente da Organização de Medicina Funcional, reforça que as raízes da medicina naturopática remontam há milhares de anos, utilizando e incorporando a sabedoria de cura de muitas das principais tradições culturais.  

O corpo (o todo) como um sistema dinâmico, auto-organizador e autocurativo foram princípios idealizados há mais de 25 séculos, por Hipócrates, e são cada vez mais resgatados para esse novo olhar da medicina! 

Mas, como Hipócrates já dizia, o corpo tem a capacidade de curar a si mesmo se receber as condições certas de estilo de vida, alimentação consciente e observação emocional. O corpo faz o seu papel se permitirmos, se entregarmos um solo fértil para que ele possa trabalhar. 

Na Medicina Chinesa, há milhares de anos já era pregada a ideia de que os médicos que conseguiam tratar e educar o paciente antes mesmo de uma doença surgir, e usando recursos naturais, eram considerados superiores!

Educar? Sim! Porque 99% da nossa saúde acontece fora da consulta médica. São as nossas decisões no dia a dia que permitem o nosso Todo funcionar em harmonia, a partir de hábitos simples: alimentação, atividade física, sono, controle de estresse e por aí vai…

Por isso, trago esses princípios, tão básicos, aqui:

  • Vis Medicatrix Naturae – A Natureza Cura
  • Primum Non Nocere – Antes de Tudo, Não Prejudicar (o processo natural de cura do corpo) 
  • Tolle Causam – Identificar e Remover a Causa (e não apenas o sintoma)
  • Tolle Totum – Tratar a Pessoa em Seu Todo (cuidando da sua saúde física, mental, emocional, social e espiritual)
  • Docere – Ensinar (o paciente a compreender a própria saúde)
  • Prevenire – A Prevenção é a Melhor Cura

Como é possível notar, esses princípios são sábios e me fazem resgatar o questionamento: “por que vamos reinventar a roda para coisas que já funcionam?”. Então, essa é a base que o Dr. Jeffrey Bland e outros consideram essenciais para a progressão e evolução da saúde do século XXI. 

Desde o seu início, a comunidade da medicina funcional tem colaborado e integrado com a comunidade naturopata e, hoje, ambas as profissões desempenham um papel importante na evolução do nosso panorama da saúde para uma melhor prevenção, tratamento e reversão de doenças crônicas.

Por mais de um século, os médicos naturopatas têm praticado a medicina baseada no estilo de vida, a terapêutica natural e a otimização personalizada da saúde, uma abordagem que passou no teste do tempo e continua a atender às necessidades de saúde modernas.

Entretanto, apesar de toda a força que esse novo – e antigo – olhar da medicina adquiriu, ainda há muito a ser feito, principalmente quando analisamos os dados de que o caminho contrário também cresce.

Aqui, me refiro a caminho contrário à cadeia que faz com que a sociedade global adquira cada vez mais hábitos ruins e, assim, aumente a sua propensão no desenvolvimento de doenças crônicas.

Até porque, apesar da força dessa Medicina que trazemos aqui, por mais de 100 anos a sociedade global já vive no universo da indústria farmacêutica focada no desenvolvimento de medicamentos químicos que pudessem ser patenteados e vendidos em escala e que, além de focarem no tratamento do sintoma, quando em excesso, causam os famosos efeitos colaterais – mas esse assunto fica para um outro momento!

Analisemos alguns números:

  • O último levantamento do IBGE mostra um aumento no consumo de alimentos ultraprocessados, quase 70% de 2008 para 2018, presente principalmente no prato de adolescentes
  • De acordo com o Dr Fábio dos Santos, referência na Medicina do Estilo de Vida no Brasil, 11 milhões de mortes são causadas por ano devido à alimentação inadequada 
  • 9,3% da população brasileira é considerada ansiosa, segundo a Organização Mundial da Saúde (OMS). Novos dados mostram que 86% dos brasileiros sofrem com algum transtorno mental, como ansiedade e depressão.
  • No Brasil, em média, 46% da população é considerada sedentária

Apesar de ver dados como esses aumentando mais e mais, acredito que o esse novo – e antigo – movimento, só tem a crescer, uma vez que o caminho oposto é, na minha opinião, insustentável em um horizonte longo de tempo: quando paramos para pensar na cadeia como um todo:

  • Na poluição proveniente das indústrias da produção de gado e dos alimentos processados
  • Nos efeitos de todo o processamento e química que existe nesses alimentos e que vão diretamente para corpos humanos, os quais, por sua vez, não possuem a natureza para recebê-los;
  • No custo de tratamento de doentes crônicos… vejam o investimento que deve ser feito para o tratamento de uma doença que poderia ter sido evitada? Não seria muito mais rentável (e saudável) ter investido na prevenção de dezenas, centenas, milhares de pessoas?; 
  • Nos inúmeros efeitos colaterais que surgem nas pessoas pelo uso de medicamentos em excesso e no longo prazo; 
  • Na ansiedade, estresse e outras patologias mentais provenientes de um estilo de vida ruim, e por aí vai…

Sem dúvidas, eu poderia escrever uma lista aqui interminável aqui!

Por isso, além de acreditar, torço muito para que todo esse movimento citado ao longo do artigo cresça cada vez mais e mude a consciência das pessoas, como mudou a minha! – e essa é a minha motivação para escrever. Em breve, estaremos juntos aqui de novo =)

Um abraço sereno,

Giovanna Zattar