O cenário atual exige cada vez mais uma eficácia dos tratamentos convencionais para interromper a pandemia do COVID-19.

Dessa forma, ao mesmo tempo que pesquisas ininterruptas são feitas para vacinas e medicações, os praticantes integrativos voltados para aumentar a imunidade visam explorar a variedade global de terapias naturais e práticas com recursos antivirais ou de aprimoramento do hospedeiro para sugerir estratégias de tratamento integrativas.

Sabe-se que o fortalecimento da imunidade hoje é fundamental e contudo não acontece do dia pra noite.

Nossos hábitos diários como boa alimentação, controle de tóxicos e estresse, atividade física regular, sono e bons relacionamentos são os 6 pilares da medicina do Estilo de Vida que determinam o nosso estado de saúde. E o contrário também é verdadeiro: hábitos ruins resultam em um sistema imunológico prejudicado. Sobre isso: um estudo feito em Wuhan (China) mostra que 88,24% das mortes por COVID-19 são de pessoas obesas ou com sobrepeso.

 

Yoga e outras práticas no fortalecimento contra a COVID-19

No artigo Meditation and Yoga Practices as Potencial Adjunctive Treatment of SARS-CoV-2 Infection and COVID-19: ABiref Overview of Key Subjects publicado no The Journal of Alternative and Complementary Medicine concluiu que “certas práticas de meditação, ioga asana (posturas) e pranayama (respiração) podem ser meios auxiliares eficazes de tratar e / ou prevenir a infecção por SARS-CoV-2”.

Os autores discutem a respeito de efeitos antiestresse e antiinflamatórios de certas meditações sentadas, ioga asanas e práticas de pranayama. Esses estudos incluem a demonstração de efeitos imunológicos promissores relevantes para melhorar a saúde pulmonar e reduzir a suscetibilidade viral e melhorar as infecções respiratórias agudas.

Os benefícios potenciais dessas práticas se estendem a sistemas neuroimunes mais amplos, uma vantagem quando se trata de uma doença desreguladora sistemicamente, como a SARS-CoV-2.

E o que descobriram?

Tais práticas complementares atuam como uma influência reguladora em uma série de funções inflamatórias importantes que o SARS-CoV-2 interrompe.

Alguns desses efeitos são associados à redução na ativação do sistema nervoso simpático, observada através da redução nos níveis séricos de adrenalina e noradrenalina.

Também é documentada a influência de yoga e meditação no nível de atividade da melatonina. Este hormônio realiza ações diversas no organismo, inclusive com impacto antiinflamatório, antioxidante e fortalecedor do sistema imunológico.

Além disso, há evidência de que a prática de yoga por 90 minutos é capaz de elevar a expressão de β-defensinas nas células do epitélio respiratório. Yoga é capaz ainda de inibir os receptores de citocinas TNF-RII e IL-1RA, bem como PCR.

Em associação com meditação, a prática de yoga também regula os níveis da citocina TNF-α e o metabolismo da proteína amiloide-β.

 

O papel da Vitamina D nos sintomas da COVID-19

O que está também em estudos é o papel da vitamina D na patogênese e severidade da Covid-19.

A vitamina D vai muito além de uma vitamina, ela é considerada um Hormônio que está diretamente relacionado com a modulação da nossa imunidade inata e adaptativa uma vez que reduz a expressão de citocinas pró-inflamatórias e aumenta a expressão de citocinas antiinflamatórias e assim temos uma maior proteção imunológica contra diversas infecções.

A hipovitaminose D (baixa de vitamina) é atribuída a um risco aumentado de lesão pulmonar e desconforto respiratório agudo (SDRA), bem como diabetes, evento cardiovascular e comorbidades associadas que são as principais causas de problemas clínicos graves em pacientes com COVID-19.

Por este motivo o uso de suplementação de vitamina D vem sendo cogitado, uma vez que esta vitamina tem potencial de modular a resposta imune do hospedeiro, e poderia ajudar a reduzir a tempestade de citocinas, principalmente na COVID-19.

Na revista Nutrients foi publicado que há evidências que a suplementação de vitamina D poderia reduzir o risco de Influenza e Infecções e mortes por covid-19.

A relação entre os alimentos e o sistema imunológico já vem sendo amplamente discutida, e vários estudos têm mostrado alimentos vegetais com potencial imunomodulador.

A infecção pelo Coronavírus 2019 ocasiona uma tempestade de citocinas, a qual pode evoluir para as formas mais graves da doença.

 

A importância da alimentação equilibrada

Ainda sobre o estudo levantado pela revista Nutrients, o artigo relaciona alimentos vegetais com efeito na redução da inflamação causada pelo Coronavírus 2019.

Uma alimentação equilibrada, com alimentos variados, traz uma boa qualidade de vida, uma vez que, dentre outras coisas, melhora o sistema imune do indivíduo.

Os alimentos de origem vegetal (frutas, verduras) são ricos em nutrientes muito importantes para o organismo humano, como diferentes vitaminas e minerais, além de polifenóis. Estes últimos são moléculas com potencial imunomodulador, principalmente, com ação antiinflamatória (capazes de reduzir a inflamação), e ação antioxidante (reduzem a oxidação celular, que quando é produzida em excesso danifica vários tipos de células).

Segundo um estudo publicado na Frontiers in Immunology a infecção pelo Coronavírus 2019 leva a uma tempestade de citocinas pró-inflamatórias, levando consequentemente a uma desregulação imune, a alimentação destaca-se como uma possível estratégia que possa auxiliar na prevenção e/ou no tratamento das formas leves da infecção pelo Coronavírus 2019.

 

Exercícios físicos versus COVID-19

Além disso, diferentes estudos sugerem que o exercício físico regular reduz a mortalidade para pneumonia, incluindo por influenza, e favorece as funções cardiorrespiratórias, resposta vacinal, metabolismo da glicose, lipídeos e insulina.

Pesquisadores sugerem que a prática do exercício físico, tanto de forma aguda quanto crônica, apresenta o benefício significativo da modulação da inflamação sistêmica, além de contribuir para controle do peso corporal.

Tem-se o conhecimento que o melhor efeito modulatório está relacionado com a maior regularidade, intensidade, tipo e duração do esforço ao longo do tempo.

Frente ao COVID-19 observa-se, por exemplo, que pacientes diabéticos com adequado controle glicêmico e infectados com SARS-CoV-2 apresentam melhor prognóstico na Covid-19.

Sugere-se também que os benefício anti-inflamatórios, antioxidante e a inibição da ativação endotelial proporcionados pela atividade física está ligada à redução da hipercoagulabilidade associada a essa doença.

É importante ressaltar que devido ao lockdown em muitos países a prática de atividade física ficou prejudicada com parques, clubes, ginásios e academias fechadas. Isso pode contribuir para o aumento das doenças metabólicas como obesidade, sobrepeso, diabetes, mudanças psicológicas como ansiedade, depressão, alimentação compulsiva e também aumento de tabagismo, alcoolismo.

Tais alterações resultaram em consequências negativas para a população em geral, com possíveis problemas para a Saúde Pública a longo prazo. A atividade física é essencial e deve ser mantida nessa fase de confinamento.

A Organização Mundial da Saúde (OMS) recomenda que indivíduos assintomáticos saudáveis pratiquem exercícios físicos de moderada intensidade, no mínimo, 150 minutos por semana (adultos) ou 300 minutos por semana para crianças e adolescentes, distribuídos por 3-4 vezes na semana.