Quantas vezes você já tentou começar um hábito novo e não conseguiu? Pois é, junte-se ao grupo, pois, como vocês existem diversas pessoas, inclusive eu. Mas, talvez o problema não seja com você e com a sua força de vontade, mas, sim com o seu sistema.

A matemática do hábito você já conhece e dá pra pensar como uma lógica de programação e vou te mostrar como é simples:

Se a variável X = faz bem para minha vida, implemente X na minha rotina; Ou seja, se fazer exercício faz bem pra mim, vou implementar na minha rotina. Porém, a gente sabe que não é assim, né? E a dúvida que fica é: Como eu faço para mudar meus hábitos?

Antes de entrar nos detalhes, é válido entendermos o que é um hábito.

A definição que eu mais gosto é: “Um hábito é a resposta automática e confiável que nosso cérebro dá para as coisas”. Ou seja, são as ações que nós fazemos sem pensar. Essa é uma definição do livro – O Poder do Hábito, um dos mais respeitados e conteudistas sobre esse assunto, que também constatou um fato super interessantes através de uma pesquisa da Universidade de Duke (EUA): “apenas 60% das decisões tomadas diariamente são intencionais, os outros 40% das nossas ações são hábitos.” Isso significa que, se nossos hábitos não estão associados aos nossos objetivos, nós NÃO vamos chegar no lugar que queremos!

Ok, entendi!

Mas por onde eu começo?

Primeiro, vamos entender qual é o mecanismo do seu corpo que controla o seu cérebro, o famoso ciclo do hábito (também explicado no livro “O poder do hábito”):

  • Deixa (gatilho): é onde o processo neurológico se inicia e é o faísca que nos dá vontade de fazer alguma coisa. Este gatilho pode ser de diversos tipos: temporal (hora do dia); visual (quando você avista algo); outro hábito, etc.
  • Rotina (ação): aqui é a ação/hábito de fato.
  • Recompensa: é o que faz um hábito se repetir. É a recompensa que nosso corpo recebe por ter praticado aquela ação. Quanto melhor a recompensa, mais forte é aquele hábito e mais vontade temos de executá-lo.

Como o próprio nome diz, é um ciclo! E quando você passa pela caixinha da recompensa e ela é boa, seu cérebro que fazer o ciclo novamente, e novamente e assim os hábitos vão se criando. Aqui estão alguns exemplos do ciclo do hábito na nossa vida:

Esse processo do ciclo do hábito é mental e Daniel Kahneman, no seu livro Rápido e Devagar, deixou evidente como isso funciona na prática.

No livro, o autor propõe que que há dois sistemas de processamento cerebral, o sistema 1 (onde os hábitos ficam), que é rápido, paralelo, automático, inconsciente e dirigido por emoções e associações, e o sistema 2, que é lento, sequencial, deliberativo, baseado em regras e que utiliza cálculos conscientes para chegar a decisões.

Uma observação interessante aqui é que os hábitos são criados para o nosso cérebro garantir que nós não gastemos muitas energia nas ações que repetimos por muitas vezes.

Legal, entendi até aqui que existe um mecanismo cerebral que criou e controla meus hábitos. Porém, como faço para perder meus hábitos ruins?

E, como criar novos bons hábitos?

Sempre importante destacar: Quando falamos sobre mudança de hábitos, por mais que o que propomos pareça simples, nada é fácil. É uma luta e você vai ter que se desdobrar para conseguir, por isso, é sempre importante ter um motivo forte e individual para fazer essa mudança. Dito isso, vamos lá;

O primeiro passo é sempre trazer o inconsciente para o consciente. Hábitos são atitudes que fazemos sem pensar e, por isso, se a gente deixar a vida levar, a gente vai continuar fazendo da mesma maneira. Por isso, pegue uma folha de papel e anote o hábito que você quer desenvolver e o hábito que você quer perder.

Anotou? 

Agora vamos pra parte prática de fato:

Viu que eu falei “o hábito” e não “os hábitos”? Eu não errei na escrita, é que fazer várias mudanças ao mesmo tempo é uma das principais causas de não conseguirmos mudar de fato. Dica de quem já errou bastante: Comece pequeno e vá devagar, sempre.

Hábito que você quer perder:

  1. Identifique quais são os gatilhos para esse hábito, ou seja, quais são os fatores que te provocam a fazer esse hábitos.
  2. Crie maneiras de diminuir esses gatilhos, seja mudando o ambiente físico e/ou digital; Ou dificultando esse gatilho de acontecer.
  3. Liste os malefícios que realizar essa ação te causam hoje e deixe-os muito evidente para você. Para facilitar, uma dica é, coloque um post-it com todos esses malefícios causados de modo que você os veja sempre.

Hábito que você quer desenvolver:

  1. Crie gatilhos para esse hábito. Obs: É interessante criar mais de um para que você seja mais estimulado.
  2. Crie maneiras de facilitar esse seu hábito diminuindo sua energia de ativação para fazê-lo. Ex: Quer fazer dieta ou se alimentar de maneira mais saudável? Deixe a sua comida pronta no domingo, e vá consumindo ao longo da semana.
  3. Criei recompensas para você, de longo (mensal, trimestral, semestral) e de curto prazo (semanal). A ideia aqui é que fique prazeroso fazer esse hábito não pelo hábito em si, mas, pelo que você vai ganhar.

E agora é ir para o dia a dia e executar!

O mais desafiador de tudo que conversamos aqui é manter a consistência da mudança. Não são 7, 21 ou 40 dias, na verdade não existe nem quantidade certas de dia, cada um tem a sua velocidade, e essa velocidade pode variar para cada novo hábito que você deseja desenvolver! Ou seja, se é algo que você nunca fez na vida, talvez leve um pouco mais de tempo!

O importante é continuar fazendo até isso ficar automático para você.

E, lembre-se, mudar hábitos é mudar quem você é hoje. É mudar, mesmo que sutilmente, a sua jornada e sair da zona de conforto. Você está preparado para as consequências de algo novo? Se sim, vá com tudo pra mudança!