Hoje foram 1000 mortes, ontem 900; hoje foram mais dezenas de milhares de pessoas infectadas, ontem a mesma coisa; se você é a favor da cloroquina, você só pode ser a favor do Bolsonaro! Se você é contra, você é de esquerda. E quando a vacina vai chegar? Eu não vou tomar a vacina. Sério? Que ato individualista, e assim, notícias, boom de informação e ofensa de todos os lados. Atravessam a nossa mente como um raio e, a km/h, atingem o coração. 

Estamos mais duros com a gente, estamos mais duros com os outros. Estamos mais na defensiva e estamos sempre preparados para o ataque. Se você não acompanha notícias, você está se fechando para o que está acontecendo no mundo. Se você acompanha, está consumindo doses diárias de negativismos.

Sim, eu te entendo!

De temores de saúde, isolamento social e interrupção da rotina causada pelo COVID-19, ao racismo, à polaridade política, às confusões morais… Se o desafio fosse o vírus e o outro exército fossem os humanos, unidos, seria mais fácil. 2020 foi, de fato um ano histórico para o estresse e suas consequências – que mal surgiram ainda!

A American Psychological Association alerta sobre efeitos “graves e duradouros” na saúde mental relacionados ao estresse em torno da pandemia, e isso vai além de qualquer outro estresse que você possa estar experimentando. Por quê? Porque essa fase que estamos vivendo como espécie humana é diferente de qualquer outra que já passamos.

De acordo com uma nova pesquisa da Harvard Medical School, o estresse é a epidemia responsável por 90% de todas as visitas ao médico. O estresse pode estar relacionado a inúmeros sintomas que nós temos, sem nos darmos conta de que ele pode ser a causa, como a insônia, problemas digestivos e ansiedade. Aqui, é uma história maluca de Ovo ou Galinha, pois todas essas questões podem ser tanto causa ou consequência.

Então, a verdade é que precisamos olhar mais para o nosso lifestyle, a forma como vivemos todos os dias, para não deixar o nosso organismo se machucar tanto, a ponto de chegarmos em um nível crônico de sintomas e olhar para eles com normalidade.

Recentemente, um médico psiquiatra que eu admiro muito – líder em Brain Health e 12x The NY Times best selling author – Daniel Amen, comentou que são os pequenos hábitos que fazem a diferença. Como vivemos as nossas manhãs, como conversamos com nós mesmos. O que lemos. O que assistimos. Com quem dividimos a nossa energia. Quem tem acesso a nós. É isso que tem o poder de mudar as nossas vidas. 

 

Como estimular o seu organismo na defesa contra o estresse?

Sabemos bem que momentos de estresse e ansiedade podem ser inevitáveis, uma vez que estamos vivendo uma pandemia de notícias ruins, problemas econômicos, sociais e inúmeras outras tristezas.

Somos seres humanos e isso tudo acaba nos impactando de alguma forma. Porém, precisamos treinar a nossa mente – através da criação de hábitos – para ressignificar a nossa reação a tantos estímulos. Precisamos aprender a responder aos estímulos de estresse e ajudar o nosso organismo a voltar ao seu ponto de equilíbrio.  

Um estudo de 2008 da revista PLoS One descobriu que a reação do nosso corpo ao tentar relaxar e se tranquilizar pode até impactar os nossos genes.

Os pesquisadores envolvidos descobriram que essas pessoas induziram alterações na expressão de genes antioxidantes e antiinflamatórios quando comparadas a um grupo que agiu contra. Essas mudanças “podem neutralizar o dano celular relacionado ao estresse psicológico crônico”, dizem os autores.

A meditação, inclusive,  é uma ótima forma para ajudar a manter o controle de seus níveis de ansiedade, promover uma sensação de bem-estar e melhorar a conexão mente-corpo. Uma revisão na Revisão Anual de Psicologia Clínica relatou que essa prática – a qual falamos muito aqui na Serena – pode ajudar a tratar a depressão, melhorar a ansiedade, aliviar a dor e melhorar a qualidade de vida em pessoas com distúrbios de dor crônica.

Aliás, fico cada vez mais impressionada com o quão acessível é cuidarmos da nossa saúde de forma simples, sem grandes caprichos e investimentos!

 

De novo, o poder da nossa alimentação!

Vamos sempre repetir aqui na Serena, você é o que você come! 70% das suas células imunológicas são produzidas no intestino. E o que damos para ele? Alimento! As nossas escolhas alimentares impactam e muito na reação que o nosso organismo tem a qualquer estímulo.

O Dr Mark Hyman, um dos pais da Medicina Funcional, comentou uma vez que a comida ultra-processada e uma alimentação pobre em nutrientes podem ser um dos causadores da mudança de comportamento, do estresse, da ansiedade e, inclusive, da violência, do homicídio e do suicídio.

Ele comenta até que, na verdade, a nossa má alimentação pode ser parcialmente responsável pelos conflitos crescentes em nossa sociedade – na política, nas relações raciais, nas escolas, na religião e nossa crise de saúde mental, o fraco desempenho acadêmico das crianças e até mesmo nossa crescente população carcerária.⁣

Abaixo, alguns pontos que o Mark traz com base em estudos comprovados:

A comida ultraprocessada, refinada e pobre em nutrientes  faz com que as crianças ajam com violência, sofram mais mentalmente, incluindo preocupação, depressão, confusão, insônia, ansiedade, agressão e sentimento de inutilidade.

Aqueles que consomem altos níveis de óleos refinados (atualmente presente em mais de 10% de nossa dieta e encontrados em todos os alimentos ultraprocessados) e baixos níveis de gorduras ômega-3 de peixes têm maiores taxas de depressão, suicídio e homicídio. ⁣

Vejam que interessante esse outro estudo: um experimento realizado com 3.000 jovens encarcerados, substituiu os salgadinhos industrializados por opções mais saudáveis ​​e reduziu drasticamente outros alimentos refinados.

Resultado: durante o acompanhamento de 12 meses, houve uma redução de 21% no comportamento anti-social, uma redução de 100% nos suicídios, uma redução de 25% nas agressões e uma redução de 75% no uso de restrições. Considerando que o suicídio é a causa de morte número 1 de crianças americanas entre 10 e 19 anos. (Informações como essa deveriam estar mais presentes na mídia, não?)

⁣Isso é no mínimo impressionante! ⁣

Claramente, o crime e o comportamento anti-social surgem de um conjunto complexo de fatores sociais, econômicos e ambientais. Mas e se uma grande parte da solução para nosso crescente conflito social, taxas explosivas de depressão, doença mental, TDAH, bullying, violência, crime e nosso transbordante sistema de justiça criminal for consertar a cadeia alimentar à qual estamos tão expostos?

Note que é tudo uma questão de mudança na base da pirâmide, a forma como vivemos no dia a dia, o que fazemos com tantas informações negativas que recebemos, como buscamos ter um mindset mais positivo, que tipo de alimento oferecemos ao nosso sistema imunológico, como lidamos com os relacionamentos que nos cercam, e por aí vai!

O COVID-19 veio, sem dúvidas, como um verdadeiro terremoto em nossas vidas. Veio para intensificar a epidemia do estresse e ansiedade que ganhou força, principalmente, no século 21, mas também, devido justamente a esse terremoto forte, ela fez com que tivéssemos que achar formas rápidas de defesa para encontrar mecanismos de sobrevivência. Simples assim!

Por isso, o primeiro passo é termos a consciência de tantas implicações e, o segundo, agir!