Pestes, epidemias, endemias, surtos de doenças transmitidas por diferentes bactérias ou vírus acontecem de tempos em tempos e assim vão continuar ocorrendo!

É normal, faz parte da história da humanidade. O inusitado no que estamos vivenciando agora (pandemia, isolamento social) não é o fato em si, mas sim, que tipo de pessoas somos hoje. Já sabemos que a história se repete, o que muda são aqueles que a vivem, no caso, nós mesmos. 

Dessa vez, fomos duplamente impactados, pois estamos mais frágeis emocionalmente do que décadas atrás: mais estressados, mais apressados, mais consumistas, mais dependentes de supérfluos, mais negligentes consigo mesmo, mais viciados em produtos industrializados e, por isso tudo, menos resilientes e  menos saudáveis… Isso tanto num âmbito físico, quanto mental!

E é por aqui que começa a minha relação com os alimentos e os hábitos de vida.

Na verdade, tudo começou no início dos anos oitenta, na época de faculdade em Porto Alegre. 

Ou seja, há mais ou menos 40 anos eu comecei a implementar, aos poucos, os princípios e práticas da Medicina Integrativa na minha vida e da minha família. Por ter sido uma das decisões que mais me transformou, em todos os aspectos, quero, nesse e nos próximos artigos, compartilhar essas vivências com vocês!

Voltando à minha fase de graduanda, na disciplina de Educação Física a prova final consistia em se fazer o então famoso Teste de Cooper (corrida em velocidade constante que varia de acordo com idade, sexo e desempenho profissional ou amador), e eu comecei a praticar tais corridas pra me ver livre o quanto antes destas aulas e poder me dedicar às matérias consideradas “mais importantes” do que atividades físicas.

E aí que comecei a tomar gosto pela prática, pois eram nesses momentos que eu desligava da rotina, me sentia mais leve e cheia de energia. E como as coisas normalmente acontecem não por acaso, um dia ouvi falar do restaurante macrobiótico que existia bem perto de onde eu morava.

O primeiro contato foi estranho, pois lá só se viam aqueles tipos considerados alternativos, meio hippies, meio bichos-grilo, mas o aroma de comida caseira junto com o silêncio e a paz daquele local não eram algo comum de se ver.

Comecei a frequentar sempre que podia e também a me dedicar a algumas leituras pertinentes ao assunto. Desde então, nunca mais fui (ou fomos, eu e meu marido, na época, namorado) a mesma. A rotina de alimentação combinada com treinos de corrida passou a ser um norteador em nossas vidas e assim seguimos ainda hoje, adaptando-nos aos diversos estágios de vida pessoal e profissional.

Quando resolvemos ter filhos, eles já nasceram em um ambiente totalmente voltado aos cuidados com a saúde física e emocional. Cuidávamos de nós mesmos somente com medicina homeopática, usávamos várias receitas e dicas obtidas dos livros da Sonia Hirsch (jornalista precursora na linha da nutrição natural e a cura pelos alimentos), buscávamos sabedorias dos nossos antepassados (como por exemplo, usar gotas do leite materno pro olhinho do bebê que acordou um pouco irritado, pingar azeite de oliva morno para curar dor de ouvido, o uso das massagens da Shantalla para melhorar desconfortos na barriga), escolhíamos quais vacinas eram importantes/imprescindíveis e, como não poderia deixar de ser, priorizamos a amamentação materna.

Tudo isso que parece demandar muito mais tempo e dedicação dos pais, ocorre justamente ao contrário, já que não precisávamos nos preocupar em fazer/carregar/esterilizar mamadeiras ou comprar medicamentos e em qualquer lugar é possível encontrar legumes, grãos e frutas para alimentar o bebê quando ele já não necessita mais do aleitamento materno. Usar o que já está à nossa disposição e que é oferecido pela natureza das coisas é, sem dúvida, o melhor e o mais fácil caminho a ser percorrido. 

Conhecimento de si e do próprio corpo, noção do mundo que nos cerca, reconhecimento das estações do ano e da sazonalidade dos alimentos, respeito por certos conceitos que os antigos e que o pai da Medicina, Hipócrates, nos legaram, anexado a todos os avanços científicos e tecnológicos e adicionando uma pitada de bom senso, isso tudo pode tornar a vida muito mais fácil de ser vivida do se imagina nos nossos dias.

Hoje, temos uma abundância de fontes de pesquisa, temos oferta de muito mais alimentos que já se sabe que nos fazem bem, temos as facilidades de um dia-a-dia com aparelhos que nos facilitam as tarefas de preparar alimentos em casa, ou seja, tudo conspira a nosso favor. Por que não então?

Além disso, atravessar um período como este em que nos encontramos, praticando estes cuidados essenciais para a manutenção da saúde e, principalmente, do nosso sistema imunológico, podemos contar com uma maior resistência física e tranquilidade emocional.

No entanto, ainda deixo aqui um alerta: o fator fundamental para o segredo de uma boa saúde ainda é, sem dúvida, uma mente tranquila e distante do stress! 

Assim sendo, Namastê!