Questionando mais e mais, eu descobri o inevitável: nunca houve tantos recursos para tratar da saúde – basta analisarmos todos os que são usados para o tratamento de doenças tão complexas quanto o câncer – mas, em paralelo, nunca houve tanta doença crônica proveniente da forma como vivemos hoje.

As evidências científicas mostram: 80% das doenças crônicas não transmissíveis, como diabetes, o próprio câncer, doenças cardiovasculares, demência, e por aí vai… – no caso, as doenças que mais matam no mundo – poderiam ser evitadas por meio de pequenos ajustes do estilo de vida das pessoas. 

Que ajustes são esses? 

Os mais básicos e baratos que você pode imaginar, mas que representam, de forma nua e crua, o que é – ou deveria ser – saúde: alimentação saudável e a base de plantas, atividade física regular, controle de estresse e de tóxicos (álcool, drogas e outros químicos), priorização do sono, e por aí vai. 

Para deixar mais tangível, um estudo da EPIC publicado no Archives of Internal Medicine estudou a adesão de 23.000 pessoas a 4 comportamentos simples: não fumar, fazer exercícios 3,5 horas por semana, ter uma alimentação saudável – frutas, vegetais, feijão, grãos inteiros, nozes, sementes e quantidades limitadas de carne, e manter um peso saudável (IMC <25).

Os que tinham esses comportamentos de forma consistente na rotina obtiveram um resultado surpreendente: 93% dos diabetes, 81% dos ataques cardíacos, 50% dos derrames e 36% de todos os cânceres foram prevenidos.

Mas, por que isso não é disseminado e promovido pelo mundo, inclusive nas economias mais ricas?

Nos Estados Unidos, por exemplo, 78% dos custos de saúde são destinados ao tratamento dessas doenças crônicas não transmissíveis. 

E aí, vem uma outra reflexão, além de um modelo reativo ser o mais infeliz possível para quem tem a doença, no qual, ao invés de se promover a saúde, espera-se que você a desenvolva, é extremamente insustentável financeiramente!

O COVID-19 talvez tenha sido um divisor de águas em inúmeros aspectos, o problema é 100% o vírus, ou uma somatória de fatores que inclui o sistema imunológico da população?

Quem são as pessoas que estão inseridas nos grupos de risco? Aqueles que, de alguma forma, já apresentam condições ou doenças crônicas.

Então, e se, há muitas décadas, já existisse um modelo de saúde muito mais baseado na promoção da saúde e bem-estar, na identificação e tratamento das causas, ao invés do tratamento de fatores de risco e sintomas?

Foi assim que descobri a essência da saúde, a Medicina do Estilo de Vida (MEV): uma medicina 100% baseada em evidências, ou seja, não é alternativa ou experimental, e mostra a saúde como um resultado do equilíbrio harmônico entre 6 pilares principais, os quais, de alguma forma, eu já citei aqui: alimentação, sono, manejo de estresse, relacionamentos, controle de tóxicos e atividade física. 

Manter-se em equilíbrio com esses 6 pilares fazem o nosso organismos simplesmente atuar na prevenção, tratamento ou cura de doenças.

 

O torna a Medicina do Estilo de Vida uma abordagem única

De acordo com o American College of Lifestyle Medicine, a proposta de valor que torna essa abordagem única é:

  • Permite que o corpo se proteja e se cure
  • Promove escolhas saudáveis de estilo de vida
  • Educa, orienta e apoia resultados positivos
  • Atua na mudança de comportamento
  • Incentiva a participação ativa do paciente
  • Trata os problemas subjacentes relacionados ao estilo de vida
  • Atua nas causas da doença
  • Usa medicamentos como complemento às mudanças terapêuticas no dia a dia
  • Considera a casa do paciente e o ambiente comunitário no qual está inserido

Agora, vamos além!

Vem comigo =)

Você notou que tudo o que eu trouxe aqui evidencia o poder que o meio e as nossas decisões diárias têm de moldar a nossa saúde?

Em nenhum momento eu falei de genética!

Outra falha cultural ruim que, em geral, nós estamos inseridos, é o fato de responsabilizar a genética por tudo. Desde inúmeros fatores da questão estética, às condições que podemos desenvolver ao longo da vida, como as doenças. 

Então, uma história familiar ou predisposição genética a condições como diabetes, demência ou câncer pode fazer você se sentir fora de controle sobre o seu destino de saúde, mas, na verdade, você tem muito mais controle do que pensa. 

Sim. A culpa não é da genética e eu vou te explicar o porquê!

 

A sua saúde tem relação direta com o seu estilo de vida

De acordo com o CDC, somente 10% das suas doenças são determinadas pela genética. Enquanto que, os 90% restantes, são determinadas pela epigenética, ou seja, o seu estilo de vida. 

Esses 10% representam condições genéticas que vieram junto com o nosso nascimento e mostram que temos grandes chances de desenvolver uma doença. Isso também é conhecido como determinismo: os seus genes vão determinar algumas questões da sua vida.

Os 90% restantes funcionam sob a condição da epigenética, que nada mais é que o meio em que você vive mudando a expressão dos seus genes. E o que é o meio? O seu estilo de vida: o que eu venho trazendo ao longo de todo esse artigo! Ou seja, às vezes podemos ter pré-disposição genética a uma doença específica. Isso quer dizer que vamos desenvolver a doença ao longo da vida? Não! Pois aí entra a epigenética. 

Se temos um estilo de vida ruim, isso pode contribuir para o gene da doença ser ativado. Se temos um lifestyle saudável, o gene pode simplesmente permanecer inativo. 

Tudo isso para dizer que: a sua saúde depende de você! E é muito mais fácil do que imaginávamos… Não são os procedimentos estéticos, as cirurgias complexas, as doses diárias de medicamentos, o checkup anual, os altos investimentos ou o projeto verão que vão fazer você ter saúde de forma leve, plena e simples, não são!

É a forma como você escolhe viver do momento que acorda, ao que vai dormir. E tudo isso parte do autoconhecimento, das reflexões que você faz quanto ao estilo de vida saudável que quer construir.

Existe melhor caminho para uma rotina feliz do que esse? Na minha opinião, não!

Aliás, uma das linhas que a MEV mais acredita é a Saúde Positiva. Martin Seligman, diretor do Centro de Psicologia  Positiva da Universidade da Pensilvânia, e um dos líderes nessa área, uma vez disse: “As pessoas desejam o bem-estar por si só e o desejam acima e além do alívio de seu sofrimento.”

Isso é inerente ao ser humano: nós queremos a leveza, a paz interior e o bem-estar. Queremos entender os mecanismos da saúde, ao invés de apenas os mecanismos da doença.

Portanto, a MEV é, então, a essência mais pura da Medicina, é as raízes que vem de milênios.

Como os médicos de milhares de anos atrás tratavam a saúde? Hipócrates, filósofo grego, inspira até hoje médicos da modernidade a simplificar a prática médica. Aqui, eu falo mais sobre as raízes da medicina!

Esse não é um chamado para o abandono do modelo atual, mas sim um convite para desconstruirmos a nossa visão sobre saúde e buscar um equilíbrio!

Na Serena, nós desenhamos uma jornada personalizada junto a uma equipe multidisciplinar para você viver a sua saúde todos os dias, e não em momentos pontuais ao longo do ano para tratar sintomas.

A Serena e a Caffeine Army querem mostrar, cada vez mais, que a sua saúde é uma jornada diária. 

Em meio a tantas evidências, te pergunto, que outros motivos você precisa para levar a saúde como um estilo de vida para si mesmo e outras pessoas ao seu redor?