Por que sempre procuramos as soluções mais fáceis? Essa é uma pergunta que você deveria se fazer todos os dias!

Já parou para pensar que muitas das doenças que pensamos ser de origem genética são de origem alimentar e/ou do seu estilo de vida como um todo? A genética corresponde a 10% do risco de desenvolver a doença, já os outros 90% é epigenético. Epigenético é a forma como vivemos, como nos alimentamos, exposição a substâncias nocivas, etc…

Aprendemos a comer como nossos avós e pais nos ensinaram, e não adianta culpá-los pois, eles também não sabiam, só estavam fazendo o quê julgavam correto. 

Famílias de obesos e diabéticos muitas vezes os são pelo estilo de vida que levam. Os grandes vilões desta situação são: a hiperinsulinemia e a resistência insulínica. Quando nos alimentamos com alimentos refinados, industrializados e processados, há um grande aumento da produção da insulina que é um hormônio produzido no pâncreas. Este por sua vez, é secretado em resposta a elevação do açúcar no sangue. Quando este processo ocorre por muitos anos, ele gera a resistência  insulínica. 

Ok, Doutor, mas e aí?

Existe cada vez mais a necessidade de aumentar a produção de insulina para conseguir guardar esse açúcar dentro do nosso corpo. Esse processo gera inflamação e elevação do peso. Há um momento em que o pâncreas não consegue aumentar a quantidade de insulina para baixar os níveis de açúcar no sangue e, em seguida, ocorre a elevação da glicemia (açúcar) de jejum e elevação da hemoglobina glicada. 

Este é um ponto importante: neste momento o diabetes se instalou. 

Ok! 

O problema é que no início do processo já tem dano estrutural no colesterol e dano microvascular com lesões nos olhos, rins, cérebro, podendo trazer vários outros problemas. 

O ideal seria ingerirmos alimentos de verdade, menos processados e com alto teor nutricional, ou seja, baixo índice e carga glicêmica. Desta forma essas lesões não aconteceriam. Um caminho pertinente – e que venho obtendo sucesso com vários pacientes – seria a dieta low carbo (dieta com menos carboidratos). 

Mas Doutor, eu já ouvi falar de muitos medicamentos disponíveis que resolvem esse problema! O que você me diz?

Existem medicamentos lançados no mercado que fazem diminuir a glicemia no sangue e, assim, controlar melhor a doença. Gostaria de citar um exemplo: as novas classes de hipoglicemiantes orais como as gliflozinas que são os inibidores do co-transportador sódio-glicose 2(SGLT2).

Essa classe de medicamentos inibe a reabsorção de glicose e sódio no túbulo proximal dos rins. Em outras palavras, ele faz você urinar o açúcar.

E se a solução fosse mais simples, mais barata e, acima de tudo, mais saudável que ingerir medicamentos? E se ingerirmos menos açúcares e carboidratos para ter o mesmo efeito que a química do medicamento nos traz? 

Outros colegas poderiam me repreender alegando que o medicamento em si protege contra insuficiência renal, insuficiência cardíaca e da morte!  

Vou falar rapidamente sobre ele: um dos seus efeitos paralelos é uma atuação no músculo cardíaco. A glicemia no sangue diminui, fazendo com que o nosso corpo utilize outras fontes de energia, como as gorduras. 

Explicando isso de uma maneira mais simples, quando se tem pouco açúcar no sangue, o nosso corpo vai no tecido adiposo e quebra os triglicerídeos em glicerol e ácidos graxos. O glicerol vira açúcar e vai repor o glicogênio hepático e muscular.

Os ácidos graxos, que são a gordura, são metabolizados e viram os corpos cetônicos que são a acetona, acetoacetato e o mais importante: o beta hidroxibutirato. Ambos são as principais fontes de energia para o cérebro, rins e músculo cardíaco e é por esse motivo que há uma melhora expressiva nos pacientes com insuficiência cardíaca além de aumentar a disposição, raciocínio e diminuir a fome. 

Note o quanto o nosso organismo se altera a partir do contato com uma substância estranha!

Aqui entra uma relação de causa e efeito, ou seja, o nosso corpo também irá reagir de forma estranha.

Agora, imagine o efeito dominó de longo prazo!

Não seria, então, menos nocivo optarmos por um caminho mais saudável e natural, mesmo que os efeitos não sejam imediatos?

Aliás, aqui vem um ponto importante: o imediato muitas vezes pode não ser um efeito positivo. Nesse caso que comentei, a mudança é gradual! O corpo vai se adaptando aos novos hábitos e vai respondendo naturalmente a eles.

É assim que acontece com a dieta low-carbo, por exemplo!

Não há química, não há substâncias estranhas no organismo, não há efeitos colaterais como a infecção uninária de repetição.  

Há um organismo mais nutrido e que funciona de forma mais leve! Há uma mente mais tranquila, consciente e focada no objetivo de evoluir. 

Há novos hábitos e, assim, um estilo de vida mais saudável.

Qual caminho você escolheria?